Governo do Distrito Federal
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14/05/19 às 16h35 - Atualizado em 15/05/19 às 7h58

Tecnologia permite produzir até 30 vezes mais peixes usando menos água e ração

 

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) apresentada na AgroBrasília a partir desta terça-feira (14) um estudo de viabilidade técnica e econômica da criação de tilápias no sistema bioflocos, que permite produzir até 30 vezes mais peixes utilizando 2% da água de um sistema de criação tradicional e com até 30% menos ração.

 

Neste sistema, partículas suspensas de microalgas e bactérias agregadas em restos de ração garantem uma parte dos nutrientes necessários para o desenvolvimento dos peixes e permitem que a água seja reutilizada.

 

Segundo o coordenador do programa de piscicultura da Emater-DF, Adalmyr Morais, “o sistema bioflocos é uma alternativa para produção intensiva de peixes para locais onde não há muita disponibilidade hídrica e de área física, além de melhorar as respostas de ganho de peso, conseguindo produzir mais quilos de peixe por metro cúbico”.

 

Segundo Adalmyr, em um sistema convencional produz-se 1 kg/m3 e no bioflocos, até 30 kg/m³. Além de demandar uma menor renovação de água na produção, esse sistema gera menor gasto com ração, já que o biofloco pode ser consumido diretamente pelos peixes.

 

Há também redução no consumo de ração, um dos principais insumos na criação de peixes, que corresponde a até 70% do custo de produção. Mas a redução proporcionada pela técnica do biofloco implica aumento de gastos com outros insumos, como energia elétrica e estrutura física para a criação dos peixes.

 

Aumento de outros custos

A Emater vai avaliar o método mais vantajoso durante um estudo que será feito até janeiro do ano que vem da produção de José Romildo da Silva, na região administrativa do Paranoá. O acompanhamento será realizado por meio de convênio entre a Emater-DF e o Ministério da Agricultura para atendimento a médios produtores.

 

“As análises econômicas e técnicas são importantes para determinar se o sistema é viável para os produtores locais, já que necessita de aeração da água de forma constante, o que aumenta custo com energia elétrica, aquisição de geradores e a análise da qualidade da água diariamente, por profissional especializado”, explica Adalmyr.

 

O engenheiro químico José Ademar de Sousa Calegari, responsável por monitorar a produção em biofloco da propriedade, faz a análise da água diariamente e as correções quando necessário. “Caso não sejam feitas as correções necessárias, perde-se a produção. Entretanto, a qualidade da carne do peixe é superior, já que há esse controle rigoroso dos níveis de nitrito, nitrato e amônia, por exemplo. Não há aquele ‘gosto de barro’ na carne”, diz.

 

A criação de Romildo é feita em estufa com seis tanques de 77 m³ cada um, onde a temperatura da água é controlada, o que auxilia a aumentar a produtividade, e em mais sete tanques de 1.600 m³ a céu aberto. Os peixes levam seis meses para chegar entre 800g e 1kg, peso ideal para venda. “Após esse peso, os peixes comem mais e crescem menos”, explica Romildo.

 

Atualmente, ele vende o peixe vivo para feirantes por R$ 7 o quilo, mas para poder agregar valor à produção, a Emater-DF realizou neste mês de março um curso de filetagem de tilápia para os funcionários da propriedade, apresentando noções de boas práticas de fabricação, higiene, desinfecção de estrutura e de equipamentos de agroindústria e com orientações sobre a legislação referente a agroindústrias. “Queremos futuramente ter uma agroindústria para vender o filé do peixe já embalado à vácuo para agregar valor e realmente pagar os custos de produção”, diz Romildo.

 

Para Adalmyr, “caso o estudo seja positivo, não há dúvidas de que esse sistema de produção intensivo poderá ser mais utilizado no DF futuramente”.

 

Ascom Emater-DF

Carolina Mazzaro

(61) 3311-9337

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