Governo do Distrito Federal
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29/10/15 às 15h59 - Atualizado em 29/10/18 às 11h35

Novas cultivares de mandioca buscam atender demanda de produtores e consumidores

 

Agricultores familiares e extensionistas rurais lotaram na manhã desta terça-feira (27) o auditório da Embrapa Cerrados, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) localizada em Planaltina (DF), para acompanhar o lançamento de seis cultivares de mandioca de mesa adaptadas às condições do Distrito Federal e Entorno.

 

Após 10 anos de pesquisa, em que os clones de mandioca gerados e selecionados foram avaliados conjuntamente com agricultores e extensionistas, a empresa lançou três cultivares de coloração da polpa da raiz amarela (BRS 396, BRS 397 e BRS 399), uma cultivar com a coloração da polpa da raiz creme (BRS 398) e duas cultivares com a coloração da polpa da raiz rosada (BRS 400 e BRS 401).

 

Os trabalhos de pesquisa foram conduzidos pela Embrapa Cerrados e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com os produtores rurais, Emater-DF, Fundação Banco do Brasil e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Esse modelo de pesquisa participativa onde a pesquisa reconhece o saber popular é fundamental para que a gente avance de maneira rápida e faça aquilo que o produtor precisa. É uma grande satisfação pra nós estarmos trabalhando nesse modelo que é uma referência para o Brasil”, destacou o chefe-geral da Embrapa Cerrados, José Roberto Rodrigues Peres. “Quando esse arranjo institucional é feito temos a certeza que essa tecnologia vai ser apropriada e que certamente será transformada numa inovação tecnológica”, enfatizou o presidente da Emater-DF, Argileu Martins.

 

Também participou da abertura do evento o chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral. Ele destacou, na ocasião, as características funcionais dos materiais lançados, principalmente no tocante a teores mais elevados de betacaroteno e licopeno. “Esses materiais estão muito ajustados com uma linha de pesquisa de vem sendo desenvolvida na Embrapa há bastante tempo que é aliar nutrição com a saúde e com a prevenção de doenças e a biofortificação de alimentos”, afirmou. Nessa Unidade da Embrapa, os trabalhos forma conduzidos pelo pesquisador Luiz Joaquim Castelo Branco. O gerente de Implementação de Programas e Projetos da Fundação Banco do Brasil, Fernando Luiz da Rocha, também estava presente. A Fundação apoia o projeto desde 2005.

 

Os pesquisadores Eduardo Alano e Josefino Fialho, responsáveis pela condução dos trabalhos na Embrapa Cerrados, fizeram um histórico sobre o cultivo da mandioca no DF e repassaram informações sobre o projeto cujo título é “Avaliação Participativa de Cultivares de Mandioca de Mesa no Distrito Federal e Entorno”. De 1975 a 1990, os principais problemas que afetavam a cultura eram a baixa produtividade de raízes, a alta incidência de bacteriose e as dificuldades no cozimento. Em 1991, foram introduzidas variedades especialmente com resistência a bacteriose, o que proporcionou um salto de qualidade na mandiocultura da região.

 

Mas, apesar da melhora da qualidade das variedades disponíveis, o mercado exigia cada vez mais qualidade do produto e os produtores também precisavam aumentar a rentabilidade da lavoura, já que a média de produtividade no DF é de apenas 16 t/hectare. Sendo assim, o trabalho de melhoramento genético buscava elevar a produtividade das raízes, desenvolver cultivares com baixos teores de Ácido Cianídrico (HCN) nas raízes, obter polpas de raízes amarelas ou rosadas (biofortificadas), uniformes e com boa qualidade culinária – tempo de cozimento menor do que 30 minutos. Além de estabelecer parâmetros para agregação de valor ao produto, como critérios de processamento mínimo. Durante o evento, a pesquisadora Maria Madalena Rinaldi repassou algumas recomendações da pesquisa relativas ao processamento mínimo de raízes de mandioca.

 

“Sabíamos que nosso trabalho teria que atender as exigências do mercado produtor e consumidor. Essas novas variedades passaram por testes preliminares dentro da Embrapa Cerrados, mas tínhamos o desafio de avaliar esses clones biofortificados junto aos produtores, foi quando lançamos mão dessa pesquisa participativa. Ela não preconiza levar pacote tecnológico para o produtor, mas, sim, um intercâmbio constante, uma troca de experiência entre o produtor, o pesquisador e o extensionista”, explicou o pesquisador Josefino Fialho.

 

Segundo o pesquisador Eduardo Alano, para que a pesquisa participativa funcione, ela precisa seguir alguns critérios: dispor de material genético para levar para os produtores, ter produtores interessados em testar esses materiais, contar com um mecanismo de extensão rural ágil e eficiente e, também, com um financiador que acredite na ideia. “Ou seja, tínhamos todas as condições para que o trabalho fosse executado de forma eficiente”, ressaltou.

 

Ele explicou, na ocasião, como a atividade de campo foi executada. “Depois de um trabalho árduo de visita aos produtores de praticamente todos os núcleos rurais do DF e entorno, selecionamos alguns deles para trabalharem com a gente”, contou. Após essa fase, segundo ele, foi feito em conjunto com os produtores o plantio das novas variedades. E a cada dois meses, os pesquisadores visitavam os locais para acompanhar o desenvolvimento da cultura. “Após a colheita, eram feitas as avaliações finais. No final, sentávamos com os produtores e eles ranqueavam as variedades, de acordo com a ordem de preferência de cada um deles”.

 

Ao final do evento de lançamento, os interessados receberam amostras de manivas-sementes das novas variedades. “Estava super ansiosa para receber esse material, já planto mandioca, mas queria mesmo eram essas variedades, pois sei que produzem mais rápido e tem uma boa saída”, comemorou a agricultora do Núcleo Rural Pipiripau, Maria Pereira da Silva, uma das pessoas que recebeu as amostras. Já a intenção do agricultor Raimundo Lúcio da Silva, que fez parte do projeto de seleção participativa, é de aumentar a sua área de cultivo de mandioca. “Essa experiência foi muito positiva e fiquei extremamente satisfeito por ter participado. Agora sei que só depende de mim e estou mesmo muito empolgado”, contou.

 

Serviço:

Os produtores rurais interessados devem procurar o Serviço de Atendimento ao Cidadão da Embrapa Cerrados para obter mais informações. Os contatos são (61) 3388-9933 ou por meio do site www.embrapa.br/fale-conosco/sac

 

 

Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
Embrapa Cerrados 

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal - Governo do Distrito Federal

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