Governo do Distrito Federal
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11/06/14 às 13h41 - Atualizado em 29/10/18 às 11h18

IV Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno

 

A capital federal vai sediar pela quarta vez o Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno. Este ano, o evento será realizado no período de 7 a 9 de outubro no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e vai reunir mais de mil pessoas, incluindo estudantes, representantes do governo, sociedade civil e agricultores para fomentar o conhecimento e a formação de políticas públicas que viabilizem e fortaleçam a agricultura familiar de base agroecológica na região. O objetivo das instituições organizadoras – Embrapa, Emater-DF, UnB e Instituto Federal de Brasília (IFB) – é criar um espaço de articulação, discussão e troca de experiências entre os diferentes segmentos que desenvolvem ações e tecnologias voltadas à agroecologia para estimular o intercâmbio e a integração de saberes; difundir os avanços e inovações; além de promover a discussão de propostas para a agricultura familiar tendo como base a agroecologia e o panorama político atual e futuro.

 

A primeira edição do Seminário, em 2008, foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação e a integração no campo da agroecologia. O objetivo foi apresentar experiências externas de sucesso na transição agroecológica de propriedades rurais para servirem de modelo ao desenvolvimento de ações locais. De lá para cá, o evento vem sendo realizado a cada dois anos e, em sua quarta edição, já conta com exemplos concretos de produção agroecológica no DF e entorno, envolvendo mais de 250 produtores rurais. Parte da produção orgânica desses agricultores estará disponível para compra no Centro de Convenções, durante a realização do Seminário.

 

A programação científica vai contar com mesas-redondas, simpósios e rodas de prosa, reunindo participantes de diferentes áreas do conhecimento agroecológico, em salas de discussão, reflexão e proposição.

Haverá também apresentação de trabalhos orais e pôsteres em uma mostra de resultados de pesquisa, extensão e relatos de experiências. O evento será encerrado com uma plenária final, que resultará na elaboração de uma carta política do IV Seminário de Agroecologia do DF e Entorno.

 

Vale lembrar que o prazo para envio de resumos foi prorrogado até o dia 30 de junho pelo site do evento (http://agroecologiadf.akamido.com/), onde também estão disponíveis outras informações relevantes, como: inscrições, programação e comissão organizadora, entre outras.

 

Agrobiodiversidade a serviço do agricultor

 

O termo agroecologia começou a ser usado na década de 1970 como um campo de produção científica preocupado com a aplicação direta de seus princípios na agricultura, organização social e estabelecimento de novas formas de relação entre a sociedade e a natureza. Atualmente pode ser entendido como a sistematização de esforços para produzir um modelo de agricultura tecnológico abrangente, socialmente justo, economicamente viável e ecologicamente sustentável.

 

Trata-se de uma nova matriz tecnológica com ampla aplicação de conceitos e princípios ecológicos no desenho e manejo dos agroecossistemas e maior autonomia dos agricultores. A partir dessa matriz, a utilização dos recursos naturais é conjugada com a responsabilidade de preservá-los.

 

Desde 2008, a Embrapa, a partir de duas de suas unidades de pesquisa localizadas no Distrito Federal (Recursos Genéticos e Biotecnologia e Hortaliças) e a Emater-DF estão unidas no desenvolvimento de ações para mudar o modelo de produção tradicionalmente utilizado nas propriedades rurais do Distrito Federal para um modelo mais ecológico e sustentável. As instituições apoiam os agricultores familiares na adequação dos sistemas de produção convencionais às bases ecológicas exigidas pela sociedade. Essa concepção de desenvolvimento baseada na sustentabilidade é feita de forma participativa com os agricultores a partir de modelos tecnológicos menos agressivos ao meio ambiente visando à produção de alimentos seguros.

 

Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Edison Sujii, com a aplicação do modelo agroecológico nas propriedades rurais do DF e entorno, os agricultores se tornam aptos a oferecer à sociedade produtos mais saudáveis e nutritivos, capazes de atender às bases ecológicas exigidas pelo mercado de produtos orgânicos, que vem crescendo muito no Brasil.

 

Como é feita a transição agroecológica nas propriedades rurais

 

A transição ecológica promove um redesenho das propriedades rurais, calcado na interação natural entre os diferentes componentes do agroecossistema para que possam ser manejadas e aplicadas em prol do produtor rural. Essas tecnologias, que também podem ser chamadas de serviços do ecossistema, incluem consórcios, policultivos, barreiras vegetadas e sistemas agroflorestais, e são planejadas de acordo com o interesse do agricultor, utilizando plantas adaptadas às diferentes regiões.

 

Segundo Sujii, representa uma mudança na mentalidade do agricultor. Ele passa de uma visão de uso intensivo da terra e exploração predatória de recursos naturais associados à dependência de fontes de insumos e energia externos, para uma nova abordagem baseada em relações mais equilibradas com o meio ambiente e socialmente mais justas. Essa nova abordagem permite que o agricultor produza alimentos em sintonia com as regras de funcionamento da natureza e maior sustentabilidade.

 

O produtor que entra nesse processo está interessado em incrementar a diversidade em sua propriedade de forma a se beneficiar dos serviços da natureza em substituição a insumos externos como agrotóxicos e fertilizantes químicos. Esse processo diversifica a produção e aumenta a segurança alimentar e autonomia do agricultor, ao mesmo tempo em que reduz os impactos negativos ao meio ambiente e à saúde humana provocados por esses produtos.

 

A Emater e a Embrapa promovem reuniões com os agricultores interessados, nas quais os saberes tradicionais são compartilhados com a experiência dos técnicos da pesquisa e extensão em agroecologia. A partir dessa troca, os agricultores propõem um redesenho de suas propriedades e elegem entre si alguns produtores dispostos a implantar unidades de observação. Esses locais recebem um acompanhamento mais próximo dos técnicos e, em troca, disponibilizam sua experiência para o acesso dos outros agricultores da região. “Dessa forma, ao mesmo tempo em que cada produtor pode redesenhar usa propriedade para um sistema de produção de base ecológica ele pode comparar sua experiência com unidades experimentais de referência local”, complementa o pesquisador.

 

Atualmente, cerca de 250 produtores já estão produzindo em sistemas de base ecológica e mais de 300 em transição agroecológica no Distrito Federal e entorno. A parceria entre a Emater e a Embrapa já resultou no apoio a mais de 1000 produtores.

 

O IV Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno acontece no período de 7 a 9 de outubro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, DF. Informações, inscrições e submissão de trabalhos científicos estão disponíveis no site do evento, pelo endereço: http://agroecologiadf.akamido.com/

 

Fonte: Embrapa Cenargen

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