Governo do Distrito Federal
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12/04/13 às 11h31 - Atualizado em 29/10/18 às 10h45

Genuinamente candango

 

Na véspera de completar 53 anos, Brasília ganhará como presente do setor rural um queijo genuinamente candango. Hoje, será conhecido o produto vencedor e que merecerá o rótulo. Com base em receita da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), sete dos principais pequenos laticínios locais tiveram março inteiro para desenvolver o alimento, cinco, com leite de vaca, e dois com o de cabra. Na semana passada, o resultado foi testado em um concurso promovido pela empresa e escolhido aquele que representará o Distrito Federal.

 

A fórmula do produto, desenvolvida por um laticinista da empresa, pretende valorizar a fabricação e a tradição locais, a exemplo do que ocorre em Minas Gerais e em Goiás.

 

A ideia de produzir um queijo brasiliense, semelhante ao da Serra da Canastra (MG), surgiu no início de dezembro do ano passado. O intuito era incentivar o mercado de laticínios, por meio da fabricação de um produto regional. “Testamos diversas receitas e, após dois meses, chegamos a um resultado diferenciado, que é um alimento seco por fora e cremoso por dentro, ses trata de um queijo meia cura”, explica José Roberto de Oliveira, laticinista da Emater-DF, e um dos responsáveis pela criação da receita-base do queijo candango. “O intuito é que, com o passar do tempo, após ser adquirido, o queijo se torne ainda mais cremoso”, diz Oliveira.

 

De acordo com levantamento da Emater, a fabricação de laticínios no DF atende somente 20% da demanda do mercado. No entanto, o consumo médio per capita anual supera o nacional. Cada brasiliense ingere 2,54kg de queijo por ano, contra 2,15kg do restante dos consumidores brasileiros, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O mercado consumidor de laticínios está aquecido. Isso se deve, em grande parte, ao aumento do poder aquisitivo da população nos últimos anos”, diz a coordenadora do Programa de Leite da Emater-DF, Flávia Lage.

 

Concurso — Um júri composto por 10 provadores, entre especialistas, técnicos e consumidores, analisou todos os queijos. Parâmetros como textura, aroma, odor, sabor e aspecto ao corte e revestimento foram avaliados durante o processo. “Vamos conhecer a melhor fórmula adaptada, considerada a receita oficial do produto”, diz José Roberto de Oliveira. O vencedor terá que repassar o “segredo” da produção para os outros fabricantes, que deverão seguir a fórmula para obter o rótulo de queijo candango.

 

Além de promover o concurso do melhor queijo candango, a Emater iniciou a capacitação de pequenos produtores de leite interessados em fabricar o produto. Na última quarta-feira, cerca de 15 pessoas participaram de uma turma de produção de laticínios. “São profissionais que atuam na venda de leite para empresas de produtos lácteos e que pretendem utilizar a sobra dessa produção de queijos. Entre o conteúdo ensinado, está a técnica de higiene durante o processo de fabricação da iguaria”, afirma Oliveira.

 

O produtor Deusdedit de Souza Ribeiro, 72 anos, participante do primeiro curso de queijo candango, ficou empolgado com a criação de um produto brasiliense. “Atuo na venda de leite para produtores de laticínios, mas pretendo investir nesse mercado. A fabricação dá bastante trabalho e exige cuidados e dedicação”, conta.

A produtora de leite Edilene Goiano dos Santos, 36 anos, fabrica e vende por conta própria e afirma estar disposta a fazer o queijo candango. “Conversamos com outros produtores e esse queijo está cotado a ser vendido por R$ 8 o quilo. Vale a pena dedicar uma parte da produção para fabricá-lo.”

 

Registro — Com a fabricação do queijo, os empreendedores — por meio de associação — poderão solicitar o registro da receita e da forma de fabricação no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Assim, o queijo estará protegido de falsificações, bem como servirá de garantia para o consumidor, indicando que se trata de um produto diferenciado.

 

Para saber mais

Velho conhecido da humanidade
O queijo é um dos alimentos mais antigos história da humanidade. A fabricação do produto remonta ao ano 10 .000 a.C. Os egípcios estão entre os primeiros povos a desenvolver a técnica. Uma lenda atribui a descoberta a um nômade árabe que atravessava o deserto carregando um cantil de leite, fabricado possivelmente com a pele do estômago do camelo e que continha uma enzima coagulante: a renina. Após várias horas cavalgando, parou para matar a sede e verificou que o leite havia se separado em um líquido aquoso e um amontoado de sólidos brancos, originando o queijo.

 

Três perguntas para / José Roberto de Oliveira, laticinista da Emater-DF

Existe algo diferente na receita do queijo candango?

 

É um produto semelhante ao queijo meia cura, mas adaptamos a receita até chegarmos a um queijo cremoso por dentro e consistente por fora. O processo de fervura do leite, a 60ºC, não é feito no fogão, mas na própria panela ao adicionarmos a água. Outra peculiaridade é o tempo de fabricação. O queijo candango leva 20 dias para ficar pronto, ou seja, o produtor deve ter paciência e dedicação para chegar ao resultado final, que é um alimento de qualidade e de valor agregado.

 

O queijo candango foi patenteado pela Emater-DF?

 

Ainda não. A direção da empresa está discutindo de que forma isso pode ser feito. O intuito era criar uma receita exclusiva para ser utilizada pelos laticínios e agroindústrias do DF. A Emater incentiva essas pessoas por meio de inovações. Estamos ministrando cursos para ensinar a fabricação do queijo candango, além de reforçar os cuidados higiênicos que se deve ter durante o processo de preparação de produtos lácteos.

 

Quais são os resultados esperados com a criação do queijo candango?

 

Esperamos que a participação dos produtores regionais aumente no mercado de laticínios local, que está bastante aquecido. O que eles necessitavam era de uma receita diferenciada, propiciada por essa novidade da Emater. De agora em diante, eles (produtores) terão condições de concorrer com os produtos mineiros e goianos, que abastecem a maior parte dos supermercados e das padarias do DF.

 

Fonte: Correio Braziliense

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