Governo do Distrito Federal
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15/09/21 às 15h32 - Atualizado em 16/09/21 às 9h11

Kalungas do maior território quilombola do Brasil realizam oficinas na Feira Rural no Parque

 

Dirani e Fiota, kalungas da comunidade Vão de Almas (Cavalcante-GO)

 

 

Mais do que um ponto de venda de produtos da agricultura familiar, a Feira Rural é também um momento de troca de histórias e saberes tradicionais entre produtores e consumidores. E neste domingo (19), em alusão ao Mês do Cerrado, a Feira Rural no Parque da Cidade tem a participação especial de kalungas da comunidade Vão de Almas (Cavalcante-GO), que faz parte do maior território quilombola do Brasil.

 

Além dos tradicionais produtos vendidos na feira, as kalungas Fiota e Dirani Maia estarão com alimentos da rica culinária quilombola e também com oficinas sobre o processamento típico da farinha de mandioca, o principal subproduto da mandioca feito por quase todas as famílias do quilombo kalunga.

 

Elas também vão demonstrar como fazem paçoca de gergelim – feita no pilão de madeira de pequi e que exala um aroma único quando começa a pilar. A paçoca é umas das principais sobremesas típicas dos kalungas passada de geração a geração ao longo dos mais de 300 anos de história do quilombo.

 

Segundo o extensionista da Emater-DF José Nilton Campelo, eles são um exemplo de resistência por meio de sua culinária tradicional e agricultura sustentável, com respeito ao Cerrado. “Cozinhar também é um ato de resistência dos quilombos. É perceptível a luta desses povos pela preservação da cultura no uso de tecnologia ancestral, no preparo dos alimentos, no cuidado com a terra, na comunhão entre cozinheiros, nos utensílios utilizados. É a oportunidade de os visitantes da Feira observarem como o alimento, o cuidado com a terra e com a comida dizem  muito sobre um contexto social brasileiro”.

 

Tradição

Com forte tradição na agricultura e extrativismo, o povo kalunga pratica plantio de baixo carbono e se baseia no conhecimento ancestral para plantar no ritmo da natureza, dispensando o uso de agrotóxicos.

 

Plantam em pequenas roças, geralmente menores que um hectare onde praticam a agricultura de subsistência, com a venda do excedente. Ainda há o extrativismo de frutos do cerrado, criação de bovinos, suínos e aves, e o cultivo de frutas.

 

A Fiota, como ela mesma diz, é kalunga nascida e criada na comunidade Vão de Alma, mãe de 7 filhos e avó de 7 netos, casada com Calisto, faz de tudo um pouco. Dirani, além de seus próprios filhos, cria outros de um irmão falecido. As duas são coletoras de frutos nativos como coco indaiá, tingui, baunilha, cajuzinho e mangaba. Fazem farinhas, óleos, plantam arroz, mandioca, feijão, gergelim, algodão, quiabo, abóbora, milho e confeccionam até tapetes com o linho de algodão que elas fazem.

 

Para saber mais sobre a história de Fiota e Dirani e comprar as delícias do campo, basta ir à Feira Rural no Parque da Cidade, que funciona no estacionamento 13, neste domingo (19 de setembro), das 8h às 14h.

 

Vão de Almas

O vilarejo da Comunidade Kalunga do Vão de Almas fica em meio a serras de difícil acesso, à 370 km ao nordeste de Brasília. Trata-se de uma das áreas habitadas de Cerrado mais preservadas em Goiás, uma vila repleta de casinhas de tijolos de adobe, telhado de palha e chão de terra batida.

 

Hoje, a comunidade tem aproximadamente 215 famílias, cerca de 1.075 pessoas e ocupa o maior quilombo em extensão territorial do Brasil.

 

A comunidade produz quase toda sua alimentação e tem uma economia baseada na troca, não no trabalho assalariado e compra de produtos. Também praticam extrativismo e buscam outras alternativas sustentáveis para o desenvolvimento do território.

 

Em fevereiro deste ano, o Programa Ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) fez o registro do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga como o primeiro TICCA (Territórios e Áreas Conservadas por Comunidades Indígenas e Locais) do Brasil.

 

O título global é atribuído a territórios comunitários e tradicionais conservados nos quais a comunidade tem profunda conexão com o lugar que habita, processos internos de gestão e governança e resultados positivos na conservação da natureza, assim como de bem-estar do seu povo.

 

Serviço:

 

Feira Rural no Parque

Data: 19/09 (domingo)

Local: Estacionamento 13 do Parque da Cidade

Horário: 8h às 14h

 

 

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal - Governo do Distrito Federal

Emater-DF

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