Governo do Distrito Federal
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2/06/16 às 9h45 - Atualizado em 29/10/18 às 11h37

Presidente da Emater-DF defende mais recursos e sistematização de resultados para o sistema de ATER

 

Ao iniciar sua fala na Mesa Balanço de ATER 2016/2017 – Avanços e Desafios, durante a 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária, o presidente da Emater-DF e da Asbraer, Argileu Martins, lembrou a todos que “nas mesas de negociações, nos últimos cinco anos, o serviço de Ater tem sido muito cobrado com relação aos resultados que deve apresentar”, desafio que o motivou a promover mudanças na empresa que preside.

 

O seminário foi realizado na manhã desta quarta-feira,1, no auditório Planalto do Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Os outros palestrantes que dividiram o debate com Argileu foram Alessandra Lunas, da Contag; Jean Marc, da ANA; Marenilson Silva, diretor do Dater/MDA, sob a mediação de Generosa de Oliveira da Unicafes.

 

Para o presidente é um grande desafio do Sistema de ATER, neste momento, construir resultados objetivos, nas dimensões clássicas econômica, social e ambiental, de modo que além de mostrar que a ATER permite um valor de produção por hectare, na agricultura familiar 362% maior do que os que não têm esse serviço, também produz alimentos saudáveis e empregos, mantendo ocupação, permitindo um ambiente no qual há maior acesso às políticas públicas. “É hora de mensuramos isso, de modo que possamos apresentar dados objetivos para a sociedade”.

 

Outro desafio elencado por Argileu é a concepção pedagógica e os procedimentos metodológicos utilizados hoje pela ATER. “Sem esse entendimento e essa compreensão clara corremos o risco de expandir e ampliar cada vez mais o serviço de assistência técnica e não conseguirmos que ele gere relações cooperativas com o conjunto dos agricultores. Se não houver nesse tema uma relação dialética entre os técnicos e os agricultores vamos construir e estabelecer relações competitivas entre eles e isso desorganiza as comunidades”, avaliou e assinalou que entender os procedimentos metodológicos da construção do conhecimento é um dos grande desafio do serviço de ATER hoje. “Ainda temos uma formação profissional extremamente conservadora, tecnicista na maioria das nossas universidades. E isso dificulta muito a compreensão da dinâmica da diversidade do conjunto da agricultura familiar para esse profissional que vai para o meio rural”.

 

A implantação da PNATER é mais um desafio a ser enfrentado pelo setor que luta pela agricultura familiar. “A PNATER sintetiza tudo o que estamos debatendo. Ela tem uma capacidade de sistematizar esse entendimento e estabelecer um processo convergente que vai gerar desenvolvimento com sustentabilidade”, advertiu.

 

Argileu Martins destacou também a inter-relação do ensino com a pesquisa. “Temos de ter a capacidade de retroalimentar o sistema de pesquisa das universidades, das empresas estaduais, porque tem muito conhecimento produzido neste país que, do ponto de vista da agricultura a familiar, é completamente inócuo. Isso melhorou, mas é necessário avançar de maneira acelerada, principalmente com fatores que chegaram para ficar – como é o caso das mudanças climáticas -, e o desafio da produção e sistemas agroecológicos. Por isso, a necessidade da compatibilização do ensino, pesquisa e extensão”.

 

Depois de mencionar a necessidade da inovação tecnológica apropriada e a voltada para a sustentabilidade, Argileu afirmou sobre que há necessidade de melhorar o padrão de qualidade dos serviços de ATER, de um modo geral. “Dissemos aqui sobre o nosso plano nacional de formação, que ainda é embrionário por falta de recursos. E temos o desafio de consolidar as nossas redes de assistência técnica, que existem mas ainda não interagem”.

 

Para finalizar, pediu a todos que atentem para o financiamento dos serviços, comparando os orçamentos do MDA e outros órgãos: “O orçamento do MDA, que em 2015 que era de R$ 960 milhões, este ano é menos de R$ 400 milhões. O orçamento do Senar, em 2015, foi de R$ 750 milhões e do Sebrae de R$ 4,9 bilhões. É muito desproporcional o que a agricultura familiar, a assistência técnica voltada para ela, tem. Temos que estar atentos à distribuição dos recursos nacionais e lutarmos para termos uma fonte permanente de financiamento, utilizando uma legislação apropriada para isto”.

 

Para Argileu, é necessário maior transparência para os recursos públicos utilizados e entendimento claro de quanto vai para o Sebrae, para o Senar , Sesc. A finalidade é disputar de fato, de maneira organizada, esses recursos.

 

 

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