Governo do Distrito Federal
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14/02/17 às 16h39 - Atualizado em 29/10/18 às 11h40

Espaço privilegiado

Assentados atendidos pela Emater-DF em Padre Bernardo (GO) alcançam bons resultados ao comercializar na Ceasa

 

Todas as sextas-feiras, por volta das 18h, um grupo de cinco agricultores do município de Padre Bernardo (GO) se reúne em uma van e percorre cerca de 110km em direção ao Mercado da Agricultura Familiar (MAF), na Ceasa-DF. Na madrugada seguinte, após pernoitar no alojamento do Centro de Capacitação e Comercialização (CCC), anexo ao mercado, eles montam suas barracas e vendem frutas, verduras e legumes. O grupo conseguiu o espaço graças ao trabalho do escritório da Emater-DF responsável pelo atendimento de assentamentos no município goiano, e já colhe os frutos dessa iniciativa, garantindo escoamento da produção, um público cativo e aumento da renda familiar.

 

Inaugurado em maio de 2015, o MAF possui cerca de 60 bancas de agricultores de várias regiões do Distrito Federal. “Quando ficamos sabendo da possibilidade de abrir o espaço, fizemos um convite aos assentados atendidos por nós em Padre Bernardo”, conta o gerente de Projetos Estratégicos Noroeste da Emater-DF, Álvaro Castro, que levou vários agricultores para conhecer o mercado, além de repassar orientações sobre como se cadastrar.

 

Desde que começou a atuar nos assentamentos de Padre Bernardo, em 2014, a Emater-DF já capacitou vários agricultores, além de ter elaborado mais de 40 projetos de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). No entanto, possibilitar a comercialização foi uma das etapas mais importantes do desenvolvimento das comunidades. “Quando abrimos esse tipo de espaço, os demais assentados se sentem incentivados a apostar em novas tecnologias e na organização social. Isso fortalece o grupo”, aponta Álvaro.

 

Atendimento — A Emater-DF atende a 29 assentamentos de reforma agrária em oito municípios goianos do Entorno do Distrito Federal. Destes, sete estão em Padre Bernardo e três em Cocalzinho — as dez comunidades são atendidas pela Gerência de Projetos Especiais Noroeste. O trabalho é feito por meio de um contrato com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Hortaliças, frutas, grãos, pecuária, avicultura e extrativismo são as principais atividades. Além da assistência técnica, a empresa já elaborou projetos de captação de água, aquisição de equipamentos e incentivo à organização social dos agricultores, o que tem alavancado o desenvolvimento da região.

 

Organização — A próxima etapa é formalizar a organização dos produtores, seja por meio de uma associação ou cooperativa. “Se estivermos unidos, será bem mais fácil conquistar espaços não só nos mercados e feiras como também nas compras do governo”, acredita a agricultora Maria Madalena Soares da Silva, do assentamento Vereda II.

 

Depoimentos

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Maria Madalena Soares da Silva (Assentamento Vereda II)
Madalena veio do Piauí no começo da década de 1980 para estudar. Depois de trabalhar em residências e no comércio, ela decidiu apostar na roça. “Em uma padaria que trabalhei, aprendi a fazer pão, o que me fez retomar o gosto pela produção de alimentos”, conta. Há treze anos no Vereda II, a agricultora desenvolveu a habilidade de fazer queijo e requeijão, mas só vendia de porta em porta. “A Emater-DF nos ajudou a dar o pontapé inicial, conhecer as dificuldades do negócio, planejar melhor. Hoje, nosso produto tem mais valor e temos garantia de venda, quase como se fosse um salário. Conhecemos nossos clientes pelo nome”, comemora. Madalena enxerga ainda um espaço para a comunidade evoluir. “Temos a chance de trabalhar em conjunto. Podemos nos unir para dividir tarefas, como trabalhar na produção de farinha de baru, por exemplo, que é abundante na nossa região e tem uma boa saída aqui na feira. Tenho várias ideias”, sonha a agricultora.

 

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Hélia Cristina (Assentamento Boa Vista)
A agricultora produz hortaliças, principalmente abóbora, berinjela, tomate e banana. Além disso, ela trabalha também com extrativismo — buriti, baru, jatobá, gabiroba, entre outros. “No começo, era muito difícil: a gente plantava, mas não tinha onde vender”, conta a goiana de Crixás, que herdou do pai o gosto por hortas. Cristina se especializou em técnica agropecuária, mas a assistência da Emater-DF é sempre bem-vinda: “Sempre estamos adquirindo conhecimento, o que só aperfeiçoa nosso trabalho”, finaliza.

 

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Manuel Pires de Oliveira (Assentamento Vereda II)
Mineiro de Paracatu, Manuel cultiva feijão, banana, batata-doce, abóbora, quiabo e outras hortaliças. “Quando vim para Brasília, era empregado em fazendas de Brazlândia. Hoje, sinto que melhorou 90%, pois além de trabalhar no que é meu, consigo vender minha produção”, avalia. Para ele, uma das grandes vantagens do Mercado da Agricultura Familiar é o alojamento. “Evita um desgaste enorme. Se não fosse essa estrutura, teríamos que sair da roça às onze da noite para chegar aqui a tempo de montar as barracas”, explica.

 

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Baltazar João Mendes (Assentamento Água Quente)
Para Baltazar, ter um ponto fixo é uma das grandes vantagens de poder vender na Ceasa. “Tenho uma clientela fiel, que já conhece meus produtos. Chamo meus clientes pelo nome”, conta. O agricultor mineiro, que mora em Brasília há mais de vinte anos, afirma que agora não tem mais a preocupação de escoar a produção. “A certeza de vender aqui no mercado me dá segurança e tranquilidade”, diz ele.

 

 

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O Mercado da Agricultura Familiar funciona todos os sábados a partir das 5h

 

Rinaldo Costa
Assessoria de Comunicação – Emater-DF

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal - Governo do Distrito Federal

Emater-DF

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