Governo do Distrito Federal
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23/10/15 às 16h55 - Atualizado em 29/10/18 às 11h35

Da gestão de esforços para a gestão de resultados: uma Emater modelo para o Brasil

 

O desafio de fazer uma gestão orientada para resultados foi a tônica da Oficina De Planejamento Estratégico da Emater-DF, na tarde desta quarta-feira, 21.

 

Com a presença do secretário de Agricultura, José Guilherme Leal, do presidente da Emater-DF, Argileu Martins, do diretor executivo da Empresa, Rodrigo Batista, que compuseram a mesa, e  da quase totalidade dos empregados da Emater-DF, foram feitas apresentações das áreas de orçamento, planejamento, tecnologia da informação e operações. Na primeira fase do planejamento, realizado no último dia 15, a plateia ouviu depoimentos de produtores rurais, convidados pela direção da Empresa, para dar importante contribuição e auxiliar no direcionamento do planejamento estratégico 2016.

O evento foi realizado, em sua segunda etapa, no Auditório Águas Claras, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães.

 

Para o palestrante e coordenador de Planejamento, Sergio Dias Orsi, foi realmente um desafio fazer uma gestão orientada para resultados. “O objetivo é superarmos esse paradigma, que é de uma gestão de esforços e implementarmos essa gestão para resultados”, assinalo

 

Em sua explanação, Adalmyr Morais Borges, coordenador  Operações, levou a reflexão da importância de se ter uma visão dos níveis de planejamento estratégico, tático, operacional, “e principalmente da mudança para uma gestão de resultados. Não apenas medir esforços, mas quantificar o resultado desse esforço. Fundamental, nessa nova fase, é que as nossas equipes deem maior importância à qualidade da informação, principalmente no informativo da produção animal, da agrícola e da não agrícola, que vão compor um dos nossos indicadores de resultado”, ressaltou.

 

Sheila Maria Souza Nunes, coordenadora de Administração e Finanças, avaliou que “o planejamento integrado, de uma forma que se visualize os recursos humanos, materiais e financeiros é fundamental. Buscar otimiza-los para podermos, cada vez mais, termos uma gestão eficiente é a nossa meta”.

 

Oseias Gomes de Oliveira, da gerência de Tecnologia da Informação, apresentou as mudanças que ocorrerão em sua área e que agilizarão processos tanto no escritório central como no campo. “Ver o resultado sendo reconhecido é muito importante. Poder fazer gestão por resultado é muito bom. As pessoas demonstraram total adesão a esse projeto.

 

Questionando sobre qual a expectativa os empregados da Emater-DF tinham do planejamento estratégico,  o secretário José Guilherme Leal elencou alguns pontos que considera importantes para o Sistema de Agricultura do Distrito Federal. “A gente considera importante que seja pensado o tema da sustentabilidade. Nós não podemos nos conformar que na capital do país se faça uma agricultura que ainda tenha um processo de degradação do meio ambiente e que produza alimentos com contaminação de agrotóxicos. Vamos implementar o programa de boas práticas, e acredito que isso seja considerado neste planejamento. Temos de pensar e estar atentos para o Projeto de Lei que vai difundir, dentro do DF, a produção orgânica. Vai se desdobrar num plano. E a Emater já trabalha muito nessa parte e é importante que tenhamos um alinhamento com ele”, assinalou.

 

O secretário lembrou ainda a importância de se pensar no CAR, na Inovação, entre outros temas que estarão na pauta do Sistema de Agricultura em 2016.

 

Para o presidente da Emater-DF, Argileu Martins, a expectativa “é que tenhamos uma Emater que produza mais resultados para a sociedade, que seja mais importante para os agricultores e uma empresa que dê mais condições de trabalho e de qualidade de vida para seus colaboradores. É isso que pretendemos dessa Emater que estamos trabalhando diuturnamente para perfeiçoar”.   

 

Planejamento estratégico – A agenda para discutir o planejamento estratégico da Emater-DF/2016 começou no dia 15 de outubro. Desse primeiro dia do encontro, participaram, além do secretário José Guilherme Leal, do presidente Argileu Martins e do diretor executivo, Rodrigo Batista, o deputado distrital Joe Valle (PDT/DF), e os produtores rurais Maria do Socorro Miranda, presidente do Conselho Rural de Braslândia, Leonice Bertollo Wagner, de Rio Preto, Vilmar de Almeida, de Planaltina,  e Moacyr Pereira Lima, presidente do Sindicato dos Produtos  Orgânicos.

 

Abaixo, trechos do depoimento desses produtores rurais, como Roma de contribuição ao planejando estratégico da Emater-DF. Eles participaram do encontro a convite da direção da Emater.

 

1- Maria do Socorro Miranda

 

“Fiquei surpresa quando fui convidada para falar o que queremos da Emater-DF. Sou presidente do Conselho Rural de Braslândia e presidente do Assentamento Betinho/Braslândia. Nosso assentamento é muito bem assistido pela Emater-DF. Falei com muitos produtores e fiquei feliz, porque ouvi muitos elogios, mas sabemos que há coisas que precisam melhorar.

 

A questão das associações. A Emater precisa se preocupar com o fortalecimento das associações, dos grupos organizados dentro da agricultura, principalmente dentro da agricultura familiar. Melhorar a atuação dos extencionistas junto aos conselhos, às associações e cooperativas. Outra coisa, são os convênios junto aos órgãos de pesquisa. Há coisas acontecendo na UnB, Embrapa e precisamos de convênios para conhecermos essas novas tecnologias (água e energia, precisamos muito de novas tecnologias para melhor aproveitamento nessas duas áreas). Tem também a questão da central de compras. Não podemos ficar reféns do comércio, em geral, quanto a sementes e adubos. Uma central nos ajudaria muito. Necessitamos ter algo nosso.

 

2 – Leonice Bertollo Wagner, de Rio Preto

 

“Poderia dizer que precisamos de ações focadas para o produtor rural. Nós esperamos sinergia da Emater-DF. Ações coordenadas na realização de suas atividades. Integrar as tecnologias, somadas as nossas energias, criando novas propostas, novas soluções e novas formas de parcerias.

 

Os extensionistas são considerados por nós como professores. Precisamos nos tornar mais eficientes. Precisamos nos tornar mesmo referência no nosso trabalho. A contribuição de vocês é valiosa. A nossa meta como produtores é crescer em 20% a nossa produtividade, sem utilizar mais terra, mais água ou insumos. Isso é possível. A capacitação dos produtores e de todos os participantes das cadeias produtivas deve ser uma constante. A transferência das tecnologias apresentam resultados significativos.

 

Em 1999, a nossa produtividade média de milho era de 3.779kg/hectare. Passamos para 8.428kg/hectare, em 2012. E o que dizer do DF que tem o maior índice de produtividade do país?

 

O feijão, de 1.087kg para 2.444kg/hectare. O que eu espero da Emater-DF? Que a empresa tenha o firme propósito de resolver os problemas da propriedade do lar, tendo como foco de trabalho a família rural. A ampliação de renda, a constante qualificação da mão de obra, a correta aplicação do crédito rural, a contribuição efetiva em projetos, em atividades sócias, acesso a programas de governo e fomentar o associativismo e o cooperativismo.

 

Minha companheira falou aqui da dificuldade de adquirir compras. A cooperativa chamada Cooplan, que só faz a compra de insumos, nela o produtor se auto avaliza. Com isso, houve a redução de 30% de seu custo de produção. A Cooplan fez com que as multinacionais abaixassem seu preço por conta do grande volume de compras. Menor custo, lucratividade maior.

 

A partir de 2003, o foco da Emater passou a ser a agricultura familiar. Houve um distanciamento da Emater de parte do segmento produtivo. Houve uma ruptura de serviços de vocês para o médio e grande produtores. Mas nós precisamos muito do serviço de vocês. Vocês são muito importantes para nós. Queremos que vocês nos auxiliem nas questões agrárias, nas questões tributárias, ambientais, entre outras. Preservando sempre o interesse de cada cidadão.

 

Nosso maior incentivo é o capital social, as pessoas. O foco deve ser o produtor rural, proporcionando-lhes respeito, cidadania, treinamento e remuneração digna. O produtor tem um desafio diário para se manter na atividade. Ele precisa plantar, cuidar, colher, comercializar, somar suas despesas e ainda obter lucro. Precisamos do permanente comprometimento de vocês todos. Compreender e decifrar as legislações. Nosso desejo é uma Emater com todas as suas ações focadas no produtor rural, uma participação efetiva em todas as ações de cidadania, além de manter uma agenda diferenciada para o produtor rural. Precisamos nos desafiar, nos reinventar. Precisamos ser capazes de prever o futuro por meio de novas tecnologias.

 

3 – Valmir de Almeida – Planaltina

 

“Essa é uma empresa de muita importância para este país. Na fala dos menus companheiros senti que fui contemplado, mas tenho algumas coisas para falar. Eu adquiri minha propriedade há uns 12 anos. E a Emater, passava naquela época, de três em três meses. Antigamente, a Emater era só para os produtores ricos. Passei por tantas dificuldades que cheguei a pensar em desistir de ser agricultor. Mas um dia, fui ao escritório da Emater e, com muito anseio, fui me aconselhando. Eles foram me fazer uma visita, fizeram um levantamento de tudo o que eu tinha e com isso consegui meu primeiro crédito. Com ele, comprei meu primeiro micro trator. No ano seguinte, acessei outros créditos que me possibilitou comprar outro veículo para vender nossos produtos na rua. E a Emater com a gente o tempo todo, levando a minha família. Foi tão interessante que houve um total envolvimento da minha família. E foi aí que sugiram outros anseios. Sai da agricultura convencional para a agricultura orgânica. O que a Emater nos ensinou foi ter uma agricultura sustentável, o que nos deu a consciência de que se meu filho permanecer na nossa terra ela vai ser dele e vai te condição de produzir para o país. Então, o meu depoimento para vocês é a alegria de um produtor que um dia foi trabalhador rural e virou um empresário. Agradeço e parabenizo vocês, essa empresa maravilhosa e se for possível, eu quero que a minha equipe, do escritório que sempre me ajudou, ganhe uma salva de palmas aqui. Obrigada, minha gente!”.

 

4- Claudionor Barros de Abreu – Alexandre Gusmão

 

“Agradeço ao nosso presidente da Emater esse convite. Eu nasci na roça, ali no Goiás, e em 1968, meu avô foi desapropriado pelo Exército, e o que recebeu não deu para comprar outra terra. Em 1970, minha família veio para Brasília, mas com muita dificuldade, trabalhando como pedreiro. Em 1996, comecei a luta no MST. Então, consegui uma chácara em Brazlândia.  Comecei lá com a assistência da Emater, que não tem nada igual. Mas a região tem o problema de falta de água. A nossa grande meta, no assentamento, é organizar uma associação. Mas o Incra colocou muitas dificuldades, por conta da legalização fundiária. Organizar a associação para correr atrás de recurso e o que queremos da Emater é que nos ajude a construir essa associação. Essa é a nossa reivindicação. Só tenho boas coisas para falar do trabalho da Emater. Sempre que precisamos eles nos dão assistência técnica na hora.

 

Christina Abelha
Assessoria de Comunicação da Emater-DF

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal - Governo do Distrito Federal

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