Governo do Distrito Federal
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22/08/17 às 16h25 - Atualizado em 29/10/18 às 11h42

Apesar de crise hídrica, Brazlândia segue líder em morangos no DF

 

Os agricultores da área rural da região administrativa, responsável pela maior produção da fruta no Distrito Federal, desenvolvem práticas mais sustentáveis e econômicas de irrigação para driblar a seca

 

Em todo o Distrito Federal são produzidos morangos, mas é na área rural de Brazlândia que está concentrada a maior produção. O ano atípico, com crise hídrica e racionamento de água, está dificultando a vida dos produtores. Para passar por essa fase difícil sem prejuízos, os agricultores locais fizeram o possível para garantir morango de qualidade, mas a área plantada foi reduzida e a produção da fruta foi 30% menor. Em compensação, os produtores implementaram técnicas para o uso racional da água e aprimoraram o manejo para evitar perdas. Brazlândia se mantém no topo da produção de morango da região Centro-Oeste e deve chegar a 3.675 toneladas em 2017, segundo estimativas da Empresa Brasileira de Assistência Rural (Emater-DF).

 

“Mesmo com o problema da água, ainda está valendo a pena plantar morango”. A constatação é do agricultor Francisco Marques Andrade, 32 anos, proprietário de cinco hectares de terra no assentamento Betinho, na zona rural de Brazlândia. Em outubro do ano passado, o produtor refez cálculos e fez um novo planejamento para enfrentar a crise hídrica e assegurar lucro com a plantação de morangos. Francisco teve que diminuir a plantação para 35 mil pés, menos da metade do que plantou em 2016. E não foi somente por causa da falta de água. Houve majoração de preços em vários itens da cadeia produtiva do morango, como o do pé da fruta, que subiu R$ 0,20, passando de R$ 0,50 para R$ 0,70.

 

Os morangos de Francisco já têm destino certo. A maior parte da colheita vai diretamente para a Feira do Produtor na Ceasa. A bandeja, contendo quatro caixas com 300 gramas do fruto, é vendida por R$ 10 no atacado. Com 5% da produção, composta pelos morangos menores, é feita a polpa, vendida, geralmente, para lanchonetes, bares e restaurantes por R$ 3,50 o quilo. “Compensa plantar morangos, porque a gente consegue um preço muito melhor do que qualquer hortaliça. A venda também é mais fácil. O problema é que os atravessadores triplicam o preço cobrado ao consumidor”, analisa.

 

Adaptação — Como a realidade da produção é adversa em função da crise hídrica, o foco do trabalho da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) tem sido proporcionar informações ao agricultor para garantir a adaptação ao cenário de racionamento de água. No início do ano, a empresa realizou o Censo dos Irrigantes, um levantamento para identificar quantos produtores usam sistema de irrigação, periodicidade de uso e até mesmo se têm autorização dos órgãos competentes para utilizar o sistema.

“O estudo serviu de base para o Plano de Adequação de Irrigação e para a implementação de várias ações, entre elas o ensino de técnicas para o manejo do solo e de adequações para sistemas mais eficientes”, explica o engenheiro agrônomo, Rodrigo Teixeira Alves, extensionista rural e gerente da Emater Brazlândia.

 

Desde o ano passado, a Emater vem realizando encontros com os produtores de Brazlândia, o que Rodrigo Teixeira Alves define como “ação negociada”, uma iniciativa para conscientizar os agricultores sobre o uso racional da água, incentivar a utilização do reservatório e treiná-los em práticas mais sustentáveis e econômicas. A ação envolve também outros órgãos do Distrito Federal, como a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Agência Reguladora de Águas e Saneamento (Adasa) e Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb).

 

Em junho passado, a empresa realizou mais uma oficina de manejo da irrigação, desta vez no núcleo rural Alexandre de Gusmão, em Brazlândia. No encontro, foram abordados temas para ajudar os agricultores rurais a adotarem práticas mais econômicas. Os produtores aprenderam sobre uniformidade de irrigação por meio da eliminação de vazamentos, troca de bicos de aspersores e de motobombas, e tiveram treinamento para a construção e instalação do Irrigas Caseiro, um equipamento que indica quando o agricultor deve irrigar a lavoura e quanta água usar, permitindo, assim, a redução do desperdício e o aumento da produtividade. “Nas oficinas, detalhamos as formas de racionalizar o uso da água. É um trabalho de formiguinha”, diz Rodrigo Alves.

 

Além de provocar a adequação da produção do morango em Brazlândia e no Distrito Federal, a restrição no uso da água reduziu a área plantada. No entanto, a seca não influencia na qualidade da colheita. “Quem plantou está conseguindo administrar os problemas, que são diversos, mas pontuais”, conclui Rodrigo.

 

Lado cruel — O lado mais cruel da desaceleração na produção de mercado de morangos do DF é a diminuição do número de trabalhadores envolvidos direta e indiretamente com a atividade, além da queda na renda das famílias. O declínio do emprego e dos rendimentos foi real no maior polo produtor do DF este ano. Em 2010, 194 agricultores produziram 5 mil toneladas em uma área total de 150 hectares, movimentando 1,5 mil empregos indiretos. Dois anos depois, em uma área que totalizou 193 hectares e com quase 100 produtores a mais, a produção local atingiu a expressiva cifra de 6,5 mil toneladas de morango e quase 2 mil trabalhadores indiretos.

 

A safra do ano passado chegou a 5.250 toneladas, produzida por 250 agricultores. Em 2017, com a expectativa de produção 30% menor, diminuíram também as contratações de mão de obra, principalmente para o trabalho intenso de colheita, realizada em agosto e setembro. “Eu tinha seis pessoas me ajudando, mas fiquei só com duas. Quando a produção diminui, tudo cai junto”, resume o agricultor Francisco Marques Andrade.

 

Racionamento — A restrição no abastecimento de água provocou a redução da área plantada em cerca de 30%, de 150 hectares em 2016 para 105 hectares este ano. A produção de 2017 também caiu 30%. No ano passado, atingiu 5.250 toneladas. A expectativa é de que chegue a 3.675 toneladas este ano. A consequência é a redução média de R$ 8 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) do morango.

 

Texto: Marlene Gomes
Foto: Ed Alves
Correio Braziliense

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